Foi ou não foi? (09.2025)

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Este é o final? Já passou quase 2 semanas desde o ultimo texto, tenho o passado todo alinhado agora. Não era o destino, nunca foi o destino, nunca foi a sociedade, nunca foi a causa de outros. Isto.. isto que aconteceu, foi entre nós, eu e ele. Assumi muito rápido, muitas coincidências, muitas referências. Eu fui muito eu, ele foi muito ele e simplesmente deu certo por um pouco. Claro, nunca fui a melhor versão de mim nem ele a dele. Eu não desmenti, ele não des-fingiu, ficamos em aguas rasas depois da turbulência inicial. Foi desgastante, foi doloroso. Mas está na hora de seguir o nosso próprio lugar.

Ele queria algo a mais, estava a viver nas expectativas falsas que ele próprio criou, uma armadinha perfeita, um romance que nunca foi 100% dele e o seu estilo de vida lutava por aquilo, ele ainda não sabia, mas eu conseguia ver através dele o que ele ainda não tinha percebido. As manipulações, frases bem construídas com um sotaque confortável, eu amei aquilo, mas tinha um pé para trás. Ele ensinou-me coisa que ele não conseguiu aprender: gostar de si mesmo antes de gostar do próximo (Eu já sabia isso, re-aprender!).

Ele nem se deu ao trabalho de lutar consigo mesmo, ele justificava em traumas, na morte da sua mãe, em versões que ainda não eram totalmente ausentes na sua pessoa. Estava perdido, eu aceitei, acolhi-o, mas nunca lhe dei chaves para a porta de saída daquele inferno que ele próprio criou. Eu não queria fazer parte daquilo, eu não podia consertar, ajudar, amar alguém que não fazia o mínimo por si mesmo. Eu não o procurava em primeiro lugar, não procurava o que ele tinha, o que ele era, eu não o queria. Ele puxou-me, acho que as vezes que aceitei o puxão e as outras que permaneci e vi-o a culpar-se pela minha decisão é o que o fez estar pior. Presenciei mensagens de morte debaixo do meu nariz, logo apagadas antes de eu ver.

Mas não é tudo sobre ele, eu tinha encontrado uma parte de mim que não conseguia sem ele. Estava em paz, mais que nunca, vi o que eu era de fora estes anos todos que amei alguém, eu magoei-me e menti-me a pensar que estava no topo. Eu amo-me, não tenho problemas comigo, estou saudável mentalmente e emocionalmente. Ele foi um espelho agradável, mas no outro lado do espelho.. eu ainda me questiono se ele via a mãe morta, ou apenas uma silhueta preta.

Pisei o meu próprio pé, cada vez que ele se culpava eu mordia os meus dentes, cada vez que ele não assumia os erros e passava para os mortos, para as versões dele, para os hábitos que ele não TENTOU mudar. Desprazer total, enquanto ele temia não ter os romances esperados, eu não tinha nada nas minhas mãos para dar-lhe, podia dar-lhe uma chapada, não as tinha ocupadas, ou apenas podia amostrar o quão pouco podia dar-lhe quanto as fantasias não concretizadas. Eu fui tóxica, eu abri-me para ele, para mim mesma, para todos os que me amo, isso de abrir é doloroso, é como abrir a mim mesma fisicamente, rasgar a pele, tirar crosta, é desconfortável, é doloroso, é tortura, mas também dá liberdade, dá flexibilidade, dá noção, dá força para a próxima vez. Isto tudo para a ferida solidificar numa crosta terrível, altinhos na pele que se prendem e desprendem. É um fardo pesado, mais vale passar por isso e sentir livre que mostrar ao mundo que não tens cicatrizes, isso é cobardia, mostra ao mundo que cicatrizes podem parecer mal, podem sempre. Mas.. que importa, isso é a tua parte, não é o que os outros têm na sua cabeça a crescer e evoluir o tempo todo, uma opinião. Opinião é necessária, está história tem mais que o teu lado, tem sempre mais que o teu lado, tem de 8 biliões de lados e até mais alguns para os que não foram contados. Mostrar ao mundo as tuas cicatrizes são.. é um ato lindo para ti mesmo(a).

Desprova a religião que é o livro mais tocado por humanos, mas menos por pessoas que se valoriza-se envés das palavras adaptadas, esquecidas milhões de vezes. Desprova os outros que viveram a vida inteira a adaptar o seu ponto de vista, a aprender e ver o mundo de maneiras impressionantemente incomparáveis, que daqui a 10 anos vai ou estar morto, ou a arranjar uma maneira de se sentir mais vivo que antes invés de se preocupar com o que te disse, pela mesma altura já deve estar com outra opinião. Enfim.. Decidi-lhe dar uma chapada por mensagem, um clássico "procura ajuda profissional" e "não quero nada contigo" soube bem.

Isso foi muito após ver a foto de perfil dele mudar para uma personagem aleatória de anime com a zona do peito coberta em sangue porque foi atingido por uma flecha na zona do coração, não senti pena, senti gosto, gosto salgado de um docinho que é vendido por gajos aleatórios na praia, estou a apanhar sol e BUM! "BOLAS DE BERLIM!" mesmo no momento.

Foi ele que se estava a matar a si mesmo com as suas farsas, eu estava a alimentar o meu prazer de viver e a descobrir partes de mim que só fazia bem expor a luz do dia. Eu cresci, ele ainda está a descobrir, mas não parou de caminhar. Estou feliz, espero que ele esteja um dia destes. Ele merece melhor que a minha pesssoa para uma relação romântica ou platônica, melhor que tudo isto, que a vida o abençoe, sem religião. Se estiveres ler isto: nunca me vou esquecer de ti, agora és parte de mim até aos meus últimos momentos, não de maneira romântica, não vou ter saudades tuas, vou ter saudades do que não fizeste por mim. Obrigada.

— Fim —

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