Destino (08.2025)

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Eu sei o que quero. Não quero ele, não quero ela. Eu não sei o que preciso, mas sei o que quero. Coisas que não sabia precisar até hoje, eu sinto falta de coisas que nunca aconteceram e, no fundo, é a disforia, a merda da disforia que me atordoa. Eu culpo o destino, não consigo-me responsabilizar, aconteceu e não consegui evitar. Talvez fui demasiado livre, demasiado simpática, demasiado casual, demasiado tímida, demasiado misteriosa, demasiado mentirosa, demasiado perfeita para ele.

Eu garanto que não sou assim, sou tão selvagem como a porra do destino que nos juntou em primeiro lugar. Eu não sou tua, não sou minha, não sou de ninguém!! É suposto eu abrir os meus braços para o mundo, para todos, para tudo... eu cortei um fio com o outro, eu cortei uma tesoura com outra, eu parti um vidro com um pedaço partido de outro. Perdi o controlo. Eu fui tóxica comigo, fui tóxica com outros, fui tóxica com o resto. Se tiveres uma tarefa e uma lógica válida eu faço, o meu válido não é o teu válido, lida com isso. O meu eco já não grita de volta, ataque direto ao núcleo, eu fui abaixo e a porta não merecia ser aberta, foda-se para o mundo, eu amo o mundo, fiquei tóxica. Destino? Parece uma desculpa, seu traiçoeiro.

Confiei em ti a vida toda, amei cada desafio que me deste para crescer como pessoa, não eram fáceis, mas o teu eu humildade quer acabar com a minha linda vida. Para de dar a desculpa, para de assumir quem eu sou por dentro, nunca irás saber se não perguntar. Eu mudei, refleti, apaixonei-me e terminei comigo mesmo 16 vezes, as mesmas que mudei de cores, mudei de foto de perfil, mudei de estilo de música, mudei os meus hábitos bem mantidos, mudei as horas bem dormidas. Eu senti nojo, eu mudei mais do que mais podia imaginar. Ele não consegue ver-me como eu me vejo, um vidro partido que reflete, mas protege. Eu disse que não conseguia manter uma relação, digo outra vez: "Não sou compatível com outros". Estou a ser muito exigente? Não quero os teus 100%, eu quero o nosso 50%. Somos diferentes, fazemos coisas diferentes, falamos diferentes, não concordamos por concordar, para evitar um magoado, para estimular uma ferida, para ignorar um trauma, o charme de uma relação é diferir, discordarmos, opinamos, destruir e reconstruir até a conexão perfeita.

"Nunca me vais deixar?"
"Nada dura para sempre."

"Fui o único?"
"Até hoje sim, espero partilhar o meu eu com mais gente, não é traição porque nunca quebrei a promessa, apenas a confiança inicial"

"Exclusividade?"
"Tiveste algo exclusivo, não significa que essa coisa tenha qualquer valor. Eu odeio exclusividade totalmente. Dá nojo e raiva."

"Como assim?"
"Eu neste momento não conseguia explicar melhor, agora é a minha vez de perguntar... COMO É QUE NÃO PERCEBES?"

"Porquê?"
"É A MINHA LÓGICA, É A MINHA DECISÃO, É O QUE SINTO, É O QUE SOU, É O QUE ACONTECEU, É O QUE ACONTECE, É AQUILO QUE INEVITÁVEL ACONTECERÁ. Queres que explique de novo mais passivamente ou vais aceitar a minha reposta de propósito só para não me veres a reagir de uma maneira específica, para não conversar mais comigo nesse assunto ou... Esquece."

"Desculpa"
"Eu... Não podia estar mais desconectada a isso. Não me consegues ver a ficar chateada, incomodada, a reclamar, a queixar, a ralhar. Isso porque eu não estou e nunca vou estar neste caso. Isso é uma palavra linda, completamente necessária na nossa natureza. Mas é um abuso, abuso forte. E eu odeio-a usada em qualquer contexto onde te sintas minimamente culpado por algo que não tens controlo, algo que não tens culpa, algo que não és tu. É tipo pedir uma pizza, receber o preço e desculpares-te ao moço que a fez por ser muito cara... conceito estúpido."

"Eu amo-te"
"Eu..okay, aceito, passamos para o próximo sentimento, eu não quero sentir de novo o que acabei de sentir por ti. Não sei o que é, mas faz-me mal. É bom.. sabe bem, mas faz-me mal, odeio-o"

Eu não quero ser dele, não quero ser minha, não quero ser de ninguém. Eu sou livre.

— Fim —

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