Contacto (06.2025)

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Medo de ajustar o volume, receio de criar uma receita nova para uma nova dor. Eu amo ser enganada. Amo sentir viva, amo ser humana. E ser humana não é receita fácil, química maioritariamente, somos tão fúteis, tão pequenos, tão frágeis, mas o que nos fortalece é.. Não sei.

Eu vou escrever os meus sentimentos: é verão, está quente, ficar em casa porque é o meu sítio seguro, de confiança, não tenho muitos amigos para relacionar o suficiente para sair, não me considero “sem amigos” ou “solitária”.. Apenas tenho uma contida de confortável de amigos verdadeiros.

Debate, conversas, conserva sentimentos, eu adoro isso, adoro conversar, adoro os pequenos gestos que vêm com o “socializar”, mesmo que seja um silêncio constrangedor, a presença faz toda a diferença, saber que está alguém ali, alguém humano que percebe a lógica comum do humano, que define estar presente para ele mesmo ou para mim ou para o mundo. Eu sinto falta disso, estar em casa não faz bem para ninguém EU QUERO E PRECISO DE CONTACTO HUMANO.

Os meus gritos não são fortes o suficiente para transportar a ideia de sair de casa e encontrar alguém, bem que eu queria, mas preciso de planear, mas preciso de improvisar, ideias contraditórias sou eu, eu quero sair lá para fora e correr, e andar, e sentir o sol/chuva/vento e os outros elementos que fazem da natureza uma cura para mentes fortes e frágeis. O tipo de contacto que procuro não é caracterizado por tipo, não é conversar com família/amigos, é a emoção que vem com o desconhecido (mais conhecido por medo do desconhecido), eu quero conversar com pessoas que não vejo no meu quotidiano, chorar por dentro ou por fora não faz diferença nenhuma, só quero sentir que alguém que não conheço nem tenho o mínimo de confiança consiga aguentar a pressão que vem comigo e a confiança que estou disposta a dar.

Não peço mundo: não precisa de conversar, não precisa de dar sinais, não precisa de olhar, apenas.. Estar lá é o suficiente para me estimular, encher-me de orgulho, encher me de satisfação e prazer. Não num sentido sexual apenas.. Satisfação por estar lá a viver a sua vida. Não consigo ir ao fundo disto, preciso de saúde mental que não tenho nem nunca terei para aguentar uma ida e volta ao fundo disto, não uma questão de dedicação, outra vez: desconhecido e o que vem com eles.

Contacto é satisfatório, lembra-me de ser humana, lembra-me que sou eu, que sou orgânica, que a minha existência importa para algo, é saudável o sentido de humanidade, na insolação é tortura, isto é uma versão miniatura disso, sem a loucura.

E com ao contacto também vem um assunto sensível, mas necessário abordar: magoar, ativar, danificar, tocar, desfocar, proteger, arrancar. Basicamente o sentido de mágoa, quando alguém não fisicamente danifica-te, é exatamente como uma crosta, ela é feia e dá impressão de simplesmente existir (uma ferida interna), mas quando tu tiras sentes satisfação na dor que vem, isso se ela não estiver completamente curada ou tratada.

— Fim —

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